Círculos restaurativos e
de construção da paz estão se tornando realidade nas escolas da rede municipal
de Pelotas, trabalho que é fruto de parceria entre o Município de Pelotas e o
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul para a implantação de Núcleos de
Justiça Restaurativa nas escolas da rede municipal com o objetivo de prevenir e
tratar a violência ocorrida no ambiente escolar e em seu
entorno.
Círculo Restaurativo na Escola Municipal Getúlio Vargas, em Pelotas-RS, 30/10/2014 |
Na tarde da última
terça-feira, 28 de junho, professores e servidores da Escola Municipal Getúlio
Vargas, situada no bairro Getúlio Vargas, em Pelotas, reuniram-se para celebrar
os três anos de atuação da Justiça Restaurativa no educandário, bem como a
harmonia e a paz com que vive a comunidade escolar.
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Aniversário Escola Municipal Getúlio Vargas - Facilitadoras de Justiça Restaurativa Marilaine (esq.), Selma e a Diretora da Escola |
O círculo de celebração
foi conduzido pelas pelas facilitadoras de Justiça Restaurativa que atuaram na
Escola nestes três anos, Marilaine Lascano Furtado Furmann e Selma
Mazza
e prestigiado pelo Juiz Coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos
e Cidadania da Comarca de Pelotas (CEJUSC), Marcelo Malizia
Cabral.
Professores e Servidores da Escola realizaram Círculo para celebrar os 3 anos de Justiça Restaurativa na Escola |
Desde a instalação do
Núcleo de Justiça Restaurativa na Escola, no ano de 2013, a comunidade escolar
reúne-se em círculos restaurativos semanalmente para tratar de temas como
respeito ao próximo, valores sociais, direitos e deveres, perdão, tolerância,
entendimento e construção da paz.
De acordo com Malizia, “neste
novo modelo de gestão de conflitos, Justiça e Escola, de mãos dadas entre si e
também com estudantes, professores, servidores e comunidade, desenvolvem ações
para prevenir e tratar a violência presente no ambiente escolar e em seu
entorno, resgatando, por meio do diálogo, da empatia e da
autorresponsabilização, princípios éticos e morais necessários ao convívio
social harmônico, com a utilização de ferramentas da Justiça
Restaurativa”.
Para a Direção,
Orientação Educacional, Professores e Servidores da Escola Municipal Getúlio
Vargas, o trabalho da Justiça Restaurativa e os círculos restaurativos estão
desenvolvendo um ambiente mais pacífico na escola, trabalhando valores e
fortalecendo vínculos.
"Nestes três anos foi
possível propiciar à comunidade escolar a vivência da justiça restaurativa e
agora a própria escola prossegiurá com as práticas", comemoraram as
facilitadoras Marilaine e Selma, que elaboraram guia com orientações para a
realização de círculos de construção da paz na Escola.
Professores e Servidores registraram o encontro em comemoração aos 3 anos de Justiça Restaurativa na Escola |
Justiça Restaurativa - Baseada no diálogo e no
respeito a valores para a convivência, a justiça restaurativa proporciona às
pessoas envolvidas em algum conflito um ambiente seguro para que dialoguem e
busquem a reparação dos danos causados pelo conflito e também construam
possibilidades de convívio respeitoso. Em Pelotas, as práticas de justiça
restaurativa estão sendo implantadas em Escolas, Centros de Referência em
Assistência Social, no Presídio Regional de Pelotas, no sistema socioducativo,
em abrigos e no próprio Foro de Pelotas, em ação integrante do Programa de
Justiça Restaurativa do TJRS, sob a coordenação do Centro Judiciário de Solução
de Conflitos e Cidadania da Comarca de Pelotas (CEJUSC).
Contato – O atendimento do CEJUSC é realizado de
segundas a sextas-feiras, das 9h às 18h, na sala 409 do Foro de Pelotas, 4.º
andar, na Avenida Ferreira Viana, n.º 1134, telefone (53) 32794900, ramal 1409,
e-mail cejuscplt@tj.rs.gov.br
ARTIGO -
JUSTIÇA E ESCOLA DE MÃOS DADAS NA PROMOÇÃO DA PAZ
As relações humanas
são complexas e sempre revelam-se uma rica fonte de conflitos, especialmente em
uma sociedade onde os interesses individuais sobrepõem-se aos
coletivos.
Somos educados para
viver em um mundo em que cada um pensa, age e busca seu benefício próprio;
devemos ser os melhores naquilo que fazemos e ultrapassar, a qualquer preço,
todos os obstáculos para a obtenção de nossas conquistas pessoais.
Vivemos em um mundo
em que as relações são superficiais, em que valemos mais em razão da aparência e
daquilo que temos do que em função de nossos valores e princípios éticos e
morais.
Nesse mundo, onde o
indivíduo deve buscar a melhor posição possível mesmo que em detrimento de seu
semelhante, onde os espíritos de comunidade e fraternidade não preponderam, onde
o respeito ao outro não constitui valor fundamental, os conflitos afloram com
pujança.
A escola reflete
todas essas mazelas de nossa sociedade, fazendo com que se tornem comuns cenas
de desconsideração com o próximo, de desrespeito aos direitos do outro, de
humilhações àqueles com quem não nos identificamos, de inobservância a regras de
convívio social, de todas as formas de violência.
Os frutos dessa
desordem social são notícias diárias de depredação de escolas, de agressões
físicas e verbais de estudantes para com professores e vice-versa, de
perseguições e agressões entre colegas de sala, que geram mais violência
envolvendo grupos e familiares.
Exatamente no
objetivo de transpor essa realidade, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul
e o Município de Pelotas estão trabalahando na implantação de Núcleos de
Práticas Restaurativas nas Escolas do município.
Neste novo modelo de
gestão de conflitos, Justiça e Escola, de mãos dadas entre si e também com
estudantes, professores, servidores e comunidade, desenvolverão ações para
prevenir e tratar a violência presente no ambiente escolar e em seu entorno,
resgatando, por meio do diálogo, da empatia e da autorresponsabilização,
princípios éticos e morais necessários ao convívio social harmônico, com a
utilização de ferramentas da Justiça Restaurativa.
Que esse círculo
integrado por Justiça, Escola e comunidade possa restaurar relações, reconstruir
vidas e edificar um ambiente escolar e uma sociedade com menos violência e mais
harmonia e paz !
Marcelo Malizia
Cabral, Juiz de Direito Coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos
e Cidadania da Comarca de Pelotas, RS –
maliziacabral@gmail.com